A ameaça de realização de lucros não se concretizou em dezembro e os ativos globais fecharam próximos às máximas de um ano estelar: ações mundiais ganharam 20%, com 13% de valorização nos Estados Unidos, 18% na China, 35% nos mercados emergente ex-China e mais de 50% em dólares em diversas economias da América Latina, Europa e Ásia.
Em relação a dezembro de 2024, os juros de dez anos do Tesouro americano declinaram de 4,58% para 4,17% e os juros curtos, que o FED utiliza para política monetária, caíram de 4,3% para 3,6% após o último corte em dezembro. Essa acomodação monetária, sinal de que os ecos da inflação da Covid e da Guerra da Ucrânia estariam sendo finalmente deixados para trás, era tudo que o mercado mundial queria ouvir para voltar a investir.
Os fundos imobiliários globais subiram 8% no ano. Os títulos corporativos subiram 8%. As commodities como um todo fecharam o ano sem ganho, mas escondendo grandes disparidades sob a superfície: o ouro subiu 65% e o cobre 45%, os grãos tiveram altas moderadas de 5% a 10% e o petróleo afundou 19% com o desenrolar de sanções contra a Rússia.
O dólar americano perdeu 9% no ano contra as moedas pares, sendo 13% contra o euro. A “rotação” de carteiras saindo de Estados Unidos e migrando para economias emergentes foi um fenômeno bem observado e que pode ser medido pelo desempenho relativo dos ativos.
O Brasil foi beneficiado pela melhora global em 2025 – do mesmo modo como foi prejudicado, desde 2022, pelo alto patamar de juros que havia se instalado lá fora.
Mesmo com os ruídos políticos que causaram volatilidade no último mês, o Ibovespa fechou 2025 com alta de 34% em reais e 50% em dólares, ficando entre as bolsas mais rentáveis do mundo.
O índice IFIX de fundos imobiliários subiu 21,1% no ano, superando o CDI e o seu competidor mais próximo, o IMAB, que ganhou 13,2%. O ano que vem pode render vários temas e um deles pode ser uma busca generalizada por ativos reais.
O real ganhou 11% contra o dólar e poderia ter ganho mais se não fossem as incertezas políticas de última hora. Comparado a outras moedas e à base depreciada na qual começou o ano, o real não se saiu tão bem quanto devia e ainda está barato em termos históricos.
O patamar de juros brasileiros é o principal fator contra uma sustentação maior dos ativos. Pode-se discutir se alguma SELIC abaixo de 15% teria o mesmo sucesso contra a inflação com menos prejuízo à economia. O fato é que as NTNBs longas, que são um mercado exclusivo entre investidores e Tesouro, fecharam quase nos mesmos níveis estratosféricos do fim do ano passado, a 7,34%. Estas também poderiam estar mais favoráveis na ausência de ruídos políticos de última hora.
Os investidores brasileiros não vivem mais a ciclotimia da esquerda-direita e sim aquela do centro-extremo, derrubando os ativos e a moeda sempre que minguam as chances de uma candidatura moderada para o grande pleito de 2026.
A essa altura, as expectativas já deveriam contar com uma alta probabilidade de reeleição, mas sonhos e paixões garantirão a volatilidade no Ano Novo. Enquanto o Brasil se distrai com a política, abaixo do radar os juros sobem na Europa e no Japão e os vigilantes da inflação americana rondam o FED contra a continuação do ciclo de cortes. Bom Ano Novo, boa sorte e bons negócios a todos em 2026.