No mundo, ações subiram 0,6%, com altas de 3% na Europa, 8% no Japão, 1% na China e quase estabilidade nos Estados Unidos. Fundos imobiliários globais ganharam 6% (perfazendo 9% no ano) e o dólar ganhou 0,5% contra as moedas pares. A taxa dos títulos do Tesouro americano de dez anos caiu de 4,24% para 3,94%.
A rotação de ativos continuou em fevereiro, agora acelerada pela teoria conspiratória do “debasement”: a de que em algum momento os Estados Unidos tomarão medidas para reduzir a despesa de juros da dívida pública, o que tornará os U.S. Treasuries os títulos menos desejáveis do mundo. As economias emergentes agradecem, pois é para elas que o fluxo de capitais está indo: ações de emergentes ex-China subiram 9% e suas moedas ganharam 0,7% contra o dólar.
O Bitcoin, que podia estar brilhando nessa hora, enfrenta seus próprios problemas. O ouro tem brilhado no seu lugar, subindo 8% e fechando o mês acima dos 5 mil dólares pela primeira vez. A um valor de mercado de mais de um terço de todo o dinheiro “M2” do mundo, o metal amarelo não é mais uma aposta tão exclusiva, mas tem atraído persistentes compradores.
Há ativos inflados demais? Ouvimos falar de uma nova era monetária e uma nova ordem mundial – argumentos pouco originais. Ao tentar entrar na festa da alta global, as ações americanas alcançaram o temido P/E de 30 e as de outras economias adiantadas giram em torno de 20. Nesse mundo, um P/E de 13, como o da bolsa brasileira, é refrescante.
No Brasil, o Ibovespa subiu 4,1% e o real ganhou 2,4% contra o dólar. O Ibovespa “em dólar”, que os investidores estrangeiros monitoram para amar ou odiar um país, já subiu 25% nos dois primeiros meses de 2026, contra 50% em todo o ano passado.
O índice IFIX de fundos imobiliários subiu 1,3% no mês. O IMA-B avançou 1,8% e o Índice de Debêntures ANBIMA subiu 1,6%. Esses ativos tão sensíveis ao custo do dinheiro foram estimulados por uma ligeira queda nas taxas das NTNBs, de 7,44% para 7,24% para dez anos.
Aqui como no exterior, todos os olhos estão na inflação. O IPCA de janeiro saiu a 0,33% e o IPCA-15, prévia de fevereiro, assustou o último pregão do mês com 0,83%. A pesquisa FOCUS projetava 3,91% para o ano e 3,92% para 12 meses. A inflação dos próximos 12 meses implícita nos títulos fechou a 4,2%.
Todas as expectativas já embutem o anúncio do Banco Central de “iniciar a flexibilização monetária” – ou seja, iniciar cortes de juros – na reunião de março. O mercado ao fim de fevereiro esperava um primeiro corte de 0,5% e outros posteriores chegando ao fim do ano com uma SELIC de 12,2%.
Quanto da alta das taxas longas – que inibe o mercado de capitais e o investimento nacional – se deve à SELIC elevada? A Faria Lima repete o bordão “o Banco Central controla a SELIC, mas só o mercado forma taxas longas” e põe a culpa da NTNB no Tesouro, que viria vendendo esses papeis impiedosamente para financiar o gasto público. Mas será que é isso? Ou veremos NTNBs e SELIC andando juntas, para cima ou, finalmente, para baixo, como acontece 80% das vezes?
No último dia do mês, com os mercados financeiros fechados, Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, iniciando (ou, tenhamos esperança, encerrando) mais um capítulo da era de incertezas mundiais.