Os mercados internacionais comemoraram a distensão no Oriente Médio: ações globais subiram 11%, REITS +9%, títulos corporativos “high yield” +2%. Com a descompressão da liquidez, o dólar voltou a cair, 2% contra as moedas pares.
A ameaça ao suprimento mundial de petróleo é o ponto que precisa ser resolvido e, embora a análise racional aponte para uma conclusão favorável, não há consenso sobre o tamanho do impacto que já está contratado. A cautela fez os “Treasuries” americanos de dez anos subirem de 4,37% para 4,40% e a inflação implícita neles subir de 2,3% para 2,5%, nível bem alto.
Os mercados elegeram o nível de 100 dólares por barril de petróleo como divisor de águas entre a ordem e o caos, o que não faz muito sentido para quem viu a celebração dos 150 quase vinte anos atrás. Do que valha a informação, a qualidade WTI fechou abril a 105.
Apesar de alguma venda nos últimos dias, os mercados emergentes tiveram um mês comparável ao resto do mundo: bolsas emergentes ex-China +12%, moedas +1,5% contra o dólar.
No Brasil, o Ibovespa começou muito bem, passando dos 199 mil pontos, mas cedeu na segunda metade do mês, salvando apenas a estabilidade. O índice IFIX de fundos imobiliários subiu 1,5%, mantendo um desempenho paralelo ao IMA-B neste ano até o momento.
O real valorizou 5% contra o dólar, foi uma das moedas de melhor desempenho no mês e conquistou a primeira posição do ranking no ano. Investidores associam a moeda brasileira ao ciclo de commodities e isso explica um pouco da sua força (as moedas da Austrália e da Noruega acompanham o real nas “Top 5” de 2026).
A inflação IPCA de março veio a 0,88%. Se o IPCA15 de abril se confirmar a 0,89%, teremos superado 90% da meta de inflação do ano nos primeiros quatro meses e completado 4,62% nos últimos doze. A pesquisa FOCUS reviu as projeções para 4,89% em 2026 e 4,05% nos próximos 12 meses. A inflação implícita nos títulos subiu para 5,23%.
As esperanças de cortes de juros minguam novamente. O Banco Central cumpriu o esperado baixando a SELIC para 14,5%, mas condicionou cortes futuros. As taxas do DI janeiro de 2028 fecharam a impossíveis 13,89%: se os juros dos últimos dois últimos anos já pressionaram tantas empresas e tantas famílias, o que juros semelhantes não farão por mais dois anos à frente?
Após uma breve trégua, na qual o Tesouro tentou aliviar os juros longos evitando colocar mais NTNBs, as taxas desses papeis voltaram a se sustentar na faixa dos 7,39%.
A situação não é delicada só no Brasil, mas em todo o mundo. Se até alguns anos atrás melhorar o nosso país consistia em adotar, com atraso, os avanços comprovados do exterior, agora se tornou mais desafiador, porque os exemplos são contrários e apontam diretamente para o passado de intervencionismo, autoritarismo e heterodoxia. A melhor notícia que se pode esperar ainda é a solução do conflito Leste-Oeste, que não precisa contar sequer com uma vitória militar de qualquer lado: basta que os países cansados de guerra sejam derrotados pela paz. Os mercados e as democracias têm mandado a mensagem de que há esperança.