Ano novo, vida nova. Menos para os ativos mundiais, que continuaram a trajetória de alta do ano velho. Ações globais subiram 2,2%, com altas de 1,7% nos Estados Unidos, 6% no Japão, 4% na China e 2% na Europa. Fundos imobiliários globais valorizaram 3% e títulos corporativos de renda fixa ganharam 0,5%.
As taxas de dez anos do Tesouro Americano subiram de 4,17% para 4,24%. O dólar perdeu 1,4% contra as moedas pares. Commodities ganharam 7% com altas importantes no petróleo (+13%), no gás natural (+28%), no cobre (+5%) e no ouro (+13%).
A rotação de ativos para fora dos Estados Unidos em direção a economias emergentes também continuou: a cesta de moedas emergentes ganhou 1,6% contra o dólar no mês e as ações de países emergentes ex-China registraram ganhos invejáveis de 10%.
O Brasil teve um desempenho muito bom em janeiro: o Ibovespa subiu 12,5%. O índice IFIX de fundos imobiliários ganhou 2,3%. O Real valorizou 4,3% contra o dólar. Mais uma vez, a bolsa brasileira parte entre as dez mais rentáveis do mundo.
Como os ativos têm progredido tanto contra taxas de juros tão altas? Não só no Brasil, com SELIC de 15% e NTNBs pagando IPCA+7,4% por dez anos, mas por toda parte: nos Estados Unidos, juros acima de 4% são preocupantes; a Zona do Euro tem as taxas mais altas desde 2011 e o Japão desde 1997. E mesmo assim os ativos têm escalado contra esse custo do dinheiro.
Uma das explicações é a perda de credibilidade dos títulos públicos, ameaçados por déficits incorrigíveis, nacionalismo econômico e governos aguerridos. Até os títulos privados vêm se tornando valiosos em relação aos títulos dos governos, comprimindo os spreads de crédito: o AAA americano está pagando 0,3% acima do Tesouro, menos que os 0,5% que foram seu piso por 25 anos, e o BBB, em situação semelhante, pagando menos que o 1% que foi o piso desde o milênio passado. Aqui no Brasil, o AAA e o AA nacionais estão nas mínimas registradas.
Outra explicação é que o mercado tem antecipado o momento em que os banqueiros centrais constatarão que os juros de política monetária têm que ser bem mais baixos. No Brasil, o BACEN manteve a SELIC a 15% a.a no Comitê de janeiro, mas sinalizou corte para março. Nos Estados Unidos, Jerome Powell deixará o cargo de presidente do FED em maio, criando a expectativa de que a próxima liderança da autoridade monetária seja mais favorável a cortar juros.
Essa expectativa sofreu uma reviravolta na última semana, quando o Presidente Trump acabou com o suspense e nomeou Kevin Warsh para a sucessão, um nome mais para a independência dos bancos centrais e austeridade monetária do que se poderia supor pelos discursos do Presidente. Isso derrubou bolsas, ouro e Bitcoins ao redor do mundo – mas não apagou completamente o registro positivo do mês.
A alta volatilidade da economia mundial parece eclipsar a capacidade que a política brasileira tem de causar altas ou baixas significativas nos ativos nacionais. Os fatos são dados: 2025 fechou com um déficit primário de 0,4% do PIB (excluindo precatórios e outras despesas); a dívida pública atingiu 78% do PIB. Nada disso é comemorável, mas tampouco é motivo para pânico imediato. A desarticulação da direita deveria ter convencido os investidores de que a maior probabilidade do pleito de 2026 é a reeleição do trabalhismo. De modo que os eventos externos poderão ter um efeito maior do que os domésticos sobre os preços dos ativos nos próximos meses.